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Melhor ipa do mundo: American ou English IPA?

Alexandre de Almeida Albuquerque
Alexandre de Almeida Albuquerque
6 min. de leitura

Encontrar a melhor IPA do mundo não é uma tarefa simples de apontar um único rótulo vencedor em um concurso. A experiência sensorial da India Pale Ale varia drasticamente dependendo do estilo de produção, da origem dos lúpulos e do frescor da garrafa ou lata que chega à sua mão.

Entusiastas iniciantes muitas vezes confundem amargor extremo com qualidade, enquanto bebedores experientes buscam equilíbrio e complexidade aromática. Este guia definitivo foi desenhado para você entender os critérios técnicos que definem uma IPA excepcional.

Você aprenderá a ler o rótulo como um especialista e a identificar qual perfil de sabor — do cítrico explosivo ao terroso tradicional — atende exatamente ao que você deseja beber hoje.

IBU e Lúpulo: Como Definir o Amargor Ideal?

O IBU (International Bitterness Units) tornou-se a métrica mais observada pelos consumidores de cervejas artesanais, mas ele é frequentemente mal interpretado. Esse número mede a concentração de iso-alfa-ácidos isomerizados do lúpulo na cerveja.

Teoricamente, quanto maior o número, maior o amargor. No entanto, a percepção humana desse amargor é relativa e depende diretamente do corpo da cerveja. Uma IPA com 70 IBU e uma base de malte robusta e adocicada parecerá muito menos amarga do que uma Session IPA com 40 IBU e corpo leve.

Você não deve olhar para o IBU isoladamente. Considere o equilíbrio geral. Se você gosta de uma 'mordida' seca e persistente no final do gole, procure por rótulos que tenham IBU alto combinados com uma finalização seca (attenuation alta).

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Os lúpulos utilizados são a alma da IPA e definem a personalidade da bebida muito mais do que o amargor numérico. Lúpulos americanos clássicos como Cascade, Citra e Simcoe trazem notas de toranja, maracujá e resina de pinheiro.

Já as variedades europeias tradicionais, como Fuggles ou Goldings, oferecem perfis florais, terrosos e herbáceos. Variedades modernas da Nova Zelândia e Austrália, como Galaxy e Nelson Sauvin, introduzem características de uva branca e frutas de caroço.

Ao escolher a sua cerveja, verifique se o rótulo descreve as variedades de lúpulo. Essa informação é o indicador mais seguro do aroma que você encontrará ao abrir a garrafa.

American, English ou NEIPA: Qual Escolher?

A escolha do subestilo é o divisor de águas na sua experiência de degustação. A American IPA é o estilo mais difundido atualmente e foca na agressividade dos lúpulos do Novo Mundo.

Ela é ideal para quem busca aromas cítricos potentes e um amargor limpo e assertivo. A cor varia do dourado ao cobre claro e a aparência costuma ser límpida (exceto nas versões não filtradas).

É a escolha segura para acompanhar hambúrgueres, comidas apimentadas e churrasco, pois o lúpulo corta a gordura e limpa o paladar.

A English IPA remete às origens históricas do estilo. O perfil aqui é muito mais contido e equilibrado. O malte tem um papel de protagonista junto com o lúpulo, trazendo notas de biscoito, caramelo e toffee que dão suporte ao amargor terroso e floral.

Se você prefere uma cerveja onde o amargor não domina completamente a experiência e aprecia nuances de grãos e fermentação mais neutra, a escola inglesa é a recomendada. É uma cerveja de contemplação e harmoniza bem com assados e queijos de média intensidade.

A New England IPA (NEIPA) ou Hazy IPA representa a revolução moderna. Visualmente, ela é turva e opaca, parecendo um suco de frutas. A proposta sensorial foca intensamente no aroma frutado e tropical (juicy) com um amargor muito baixo ou quase imperceptível no paladar.

A textura é aveludada e cremosa, muitas vezes devido à adição de aveia ou trigo. Este estilo é perfeito para quem diz não gostar de cerveja amarga, mas adora aromas de manga, abacaxi e pêssego.

É uma bebida delicada que exige frescor absoluto para manter suas características vibrantes.

  • American IPA: Foco no lúpulo cítrico/resinoso, amargor alto, final seco.
  • English IPA: Equilíbrio entre malte e lúpulo, notas terrosas/caramelo, amargor médio.
  • NEIPA (Hazy): Foco total no aroma de frutas tropicais, aparência turva, amargor baixo, corpo aveludado.

A Importância do Dry Hopping no Aroma

O Dry Hopping é a técnica que separa uma IPA comum de uma IPA excepcional em termos aromáticos. O processo consiste na adição de lúpulos frios durante a etapa de fermentação ou maturação, e não durante a fervura.

Quando o lúpulo é fervido, seus óleos essenciais voláteis evaporam, restando apenas o amargor. Ao adicionar o lúpulo a frio, o cervejeiro preserva esses óleos delicados, injetando uma carga massiva de aroma na bebida sem aumentar significativamente o amargor percebido.

Para você, consumidor, a presença do termo 'Dry Hopped' ou 'Double Dry Hopped' (DDH) no rótulo é um sinal de qualidade e intensidade aromática. Cervejas com essa técnica oferecem uma experiência olfativa complexa assim que são servidas no copo.

É comum encontrar descritores como 'explosão de aroma' em produtos que utilizam essa técnica generosamente. Cervejas DDH tendem a ser mais caras devido à grande quantidade de matéria-prima utilizada e às perdas no processo produtivo, mas o investimento vale a pena para quem prioriza o nariz da cerveja tanto quanto o gosto.

Session IPA vs Imperial IPA: Entenda a Força

A graduação alcoólica (ABV) define a ocasião de consumo. A Session IPA foi projetada para sociabilidade e consumo em volume. Com teor alcoólico geralmente abaixo de 5%, ela mantém a carga de lúpulo e aroma de uma IPA tradicional, mas com um corpo muito leve e alta drinkability (facilidade de beber).

É a escolha perfeita para dias quentes de verão, churrascos longos ou situações onde você deseja beber várias unidades sem ficar embriagado rapidamente. O desafio das Session IPAs é evitar que a cerveja fique 'aguada', por isso os melhores rótulos equilibram bem a leveza com sabor.

No extremo oposto está a Imperial IPA ou Double IPA. Com teor alcoólico que frequentemente supera os 7,5% ou 8%, esta é uma cerveja potente e licorosa. A estrutura de malte precisa ser robusta para sustentar tanto o álcool quanto a carga massiva de lúpulo necessária para equilibrar o dulçor residual.

O resultado é uma cerveja complexa, que aquece a boca e deve ser degustada lentamente. É ideal para dias mais frios ou para fechar a noite. Se você busca intensidade máxima e complexidade de sabores que evoluem no copo conforme a temperatura sobe, a Imperial IPA é a categoria correta.

Perguntas Frequentes

Qual a temperatura ideal para servir uma IPA?
O que significa uma IPA estar 'choca' ou oxidada?
Qual o melhor copo para degustar uma IPA?
Por que algumas IPAs têm sedimento no fundo da garrafa?
Quanto tempo dura uma IPA depois de envasada?
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